quarta-feira, 21 de novembro de 2007
A minha vida - história real
Tudo começou no dia 10 de Junho de 1993.
Foi a partir desse dia que eu passei a respirar, depois a comer/beber, depois a gatinhar, depois a falar, depois a andar.... Foi desde esse dia que eu compreendi o significado de Respirar.
Sou gémeos.
Sempre adorei o meu dia de nascimento, por ser dia de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesas. Dizia sempre assim à minha mãe:
- Mãe, eu recebo as prendas ao mesmo tempo que Portugal.
Considero ter tido uma infância feliz. Embora metade dela não me lembrar. Sei que estive no Colégio Manuel Bernardes até aos três anos e meio, e estava lá triste e contrariada. Não comia, estava super magra, e constantemente doente. Não tinha amigos, apenas uma árvores com a qual eu ainda tenho uma fotografia. Sei que tive lá momentos felizes, mas nunca gostei daquela escola.
Sem saber porquê, fui parar a outra escola, onde conheci uma das minhas melhores amigas actuais. Antes, era so uma simples amiga, pois aquela com quem eu andava mais era a Adriana. A minha melhor amiga. Tinhamos as duas bastantes coisas e pessoas a enfrentar, mas disso não posso eu falar, não sao só coisas minhas.
Fui feliz naquela escola. Embora odiasse a minha monitora, acho que era feliz. Ela também não gostava nada de mim. Eu nunca lhe tinha feito nada; mas ela não gostava de mim. Se calhar, por ser feia. Normalmente, é isso que acontece a pessoas como eu. São feias, são "desprezadas". Só a minha familia e os meus amigos verdadeiros não me falam disso. Sim, porque já me chamaram gorda tantas vezes que eu acho que seria milagre se não o fizessem de novo. Não tenho culpa de ser assim, ok?
Ainda hoje o fazem. Em Ed. Fisica, pesei-me. 60 kilos. Gorda, gorda, gorda... Só me ocorria esse pensamento. Optei por tentar esquecê-lo. Consegui. Pelo menos, até chegar ao balneário.
Estávamos todos a comentar o peso, e veio a Sílvia que disse:
- Estiveram-se a pesar? Laura, pesavas para aí uns 60, não? LOL
E depois a Séfora responde:
- 'Tás a chamar a Laura de gorda?
Eu aí não me queria aguentar. Apetecia-me trancar na casa de banho e chorar, chorar, chorar.. Mais uma vez, aguentei.
Também aguentei as vezes que o Horta falou de mim. Aguentei tudo. Porque sei que o exterior não é o mais importante, mas sim o interior. Se bem que penso que o meu interior também não deve ser grande coisa.
Sempre me achei gorda. E o meu pai não ajudava quando se virava para mim, e dizia:
- És tão gorda, que quase cais da cadeira. - e a chamar-me gorda várias vezes. Já nem lhe ligo.
Aos 11 anos,o Inferno rebentou. O meu pai começou a chatear-me e a irritar-me. Ralhava-me frequentemente. E batia, mesmo com força.
Ao princípio pensei a«que ele tinha uma idade marcada para me começar a chatear mais, mas estava enganada. É que eu, Sara Patrícia Ferreira Marques, estava a entrar na fase do armário e cada vez mais a dizer coisas que o meu pai não gostava. E batia mais, e mais, e mais. "Estúpida, parva, cala o bico", começou a utilizar dessas expressões comigo. Ainda hoje é assim mas eu respondo.
Muitas pessoas pensam que eu sou daquelas meninas bem-educadas, e que não dizem nem sequer uma asneira. Eu digo. Várias, até. Irrita-me eles pensarem assim.
Os meus avós são as pessoas mais importantes para mim. Não consigo viver sem eles, e só de escrever isto, chegam-me as lágrimas aos olhos. Peço sempre a Deus para os fazer ter uma vida muito longa e saudável, sem problemas. As minhas amigas já comentaram sobre como é que eu posso gostar tanto deles, quando foram a minha casa e eu dei-lhes comida, sem os meus pais saberem. Porque viram-me crescer, ainda mais que os meus pais, encobrem-me, e defendem-me. Querem o melhor para mim, que tire boas notas, e acham que o pai exagera em certos aspectos. Concordo. Eles sabem que eu saio nas horas de almoço. E não disseram nada aos meus pais. Agora, nunca mais me viram, mas a minha avó prometeu controlar.
Uma das coisas que mais gosto de fazer, é escrever. Escrevo bastante, e depois não gosto do que escrevi. Só raramente é que sim. Gostava de ter um dom especial para a escrita, daqueles que só uma pessoa entre muitas na vida pode ter, mas isso, é parvoíce. Nunca iria ter esse "dom". Como nunca me foi dado o que eu sempre quis.
Poderia continuar a descrever toda a minha vida. Sim, porque saltei do 5º ano para o ano recente, mas acho que está comprido demais.
Peço desculpa a quem estava à espera de mais, mas escrever a minha história é complicado e eu salto várias vezes.
Daqui a alguns dias, se calhar irei alterar um pouco isto. Mas não faz mal.
Espera-me mais um dia de trabalho.
Tristezas, alegrias, só Deus sabe o que me espera.
Então, adeus.
Até qualquer dia!
Posted by LMitsuki @ 21:38
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